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Cafetaria: a realidade por detrás do balcão

E cá estou eu na minha cama, ao fim de mais umas horinhas a ganhar! Foi exatamente no mês passado que me vi incluída num mundo de trabalho diferente dos (poucos!) até então experimentados. Um mundo de trabalho do qual apenas poderia falar enquanto cliente; cliente que, verdade seja dita, não detinha informações suficientes para sequer dever opinar. Por outras palavras, um mundo de trabalho cujo funcionamento e cujas condicionantes não eram por mim reconhecidas. Sim, trabalhar num café ou bar nunca foi, de todo, algo com que estivesse a contar. Mas então: qual a realidade por detrás do balcão?

É bom? Podia ser melhor? Basta que se saiba que não é para qualquer um!

Numa primeira instância, o crucial é assimilar tudo o que há para absorver: o stock existente e os respetivos locais de armazenamento, o correto funcionamento das máquinas, a rotina implementada, os preços a praticar e, sobretudo, os produtos a conseguir preparar. É aqui que, muito provavelmente, começamos a “não bater lá muito bem”. E o problema não reside nos diferentes bolos ou nas várias formas de arranjar determinado pão. A questão mais difícil de lidar é outra! São os mais de dez tipos de café diferentes (de chávena escaldada ou de chávena fria, o descafeinado, o sem ponta, o italiano ou o curto, o normal, o três quatros e o cheio, o abatanado e o duplo, quando não pedem pingado ou, então, carioca) e seus derivados (o pingo, o galão e a meia de leite, mais claros ou mais escuros).

Não me interpretem mal! Se calhar ainda no primeiro dia já conseguem diferenciar cada um dos restantes e prepará-los como deve ser. A grande e irremediável (parece-me a mim!) dificuldade é agradar a todos os clientes: aquele que quer o café mais cheio do que o normal mas menos do que três quartos, à senhora que precisava de mais leite e menos quente, aos da última mesa cujo carioca não pode ser tão fraco assim, aquele casal que tem medida certa e isso não pode mudar.

É por isso que vêm as dores de cabeça e é por isso que, depois de tudo bem compreendido, o mais emergente é mesmo aprender a equilibrar a pressão feita pelos que estão do outro lado com as expectativas que precisamos atender por parte dos superiores a nós! Acima de tudo? Devemos ser capazes de dar o nosso melhor a todos sem exclusividades, garantindo que nem o mais exigente possa ter razões para reclamar ou apontar.

 

Conseguindo-o, não há muito mais para saber! Erras? É humano, claro! Mas, tendo-se consciência que cada dia é diferente, que não existem pedidos iguais e que o cliente sempre terá razão; ganhar dinheiro ao mês até pode ser divertido!!

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