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Eutanásia: muito além dos interesses políticos

Foi no passado dia 29 de Maio, na Assembleia da República em Lisboa, que os votos contra se sobrepuseram aqueles que defendiam a despenalização da eutanásia; pela qual lutaram as mais de oito mil pessoas que assinaram a petição lançada pelo movimento cívico “Direito a morrer com dignidade” para levar o tema a Parlamento. Sim, aquele que afirma não ter qualquer direito de decidir sobre a morte mas que age impondo a vida a quem já não a vê como uma opção digna. Sim, aquele que se defende prometendo o investimento em cuidados paliativos para garantir o bem-estar dos muitos doentes; mas os deixa abandonados à sua pouca sorte sem remorsos ou culpa.

 

Terminado o debate, que em nada permitiu que se fizessem sobressair outras ideias que não as deles; importa (mais) ainda que se prolongue o confronto connosco próprios. Precisamos, então, compreender as reais e inevitáveis implicações da nossa oposição a um direito absoluto; que não pode nem devia ser negado.

 

Assumindo-se, desde logo, a eutanásia como “a antecipação da morte por decisão da própria pessoa, maior, em situação de sofrimento extremo, com lesão definitiva ou doença incurável e fatal, quando praticada ou ajudada por profissionais de saúde” (o que recebe o pedido, o especialista na patologia do doente e um psiquiatra) com o poder de interromper o procedimento se assim se justificar; falta admitir o verdadeiro significado para os que podem por ela ansiar. Afinal, não seremos nunca nós, os que estamos de boa saúde longe de ponderar na primeira pessoa esta alternativa; os que melhor e mais justamente nos podemos posicionar, segundo um ou a partir de outro ponto de vista.

Mas, talvez seja mesmo esse o grande obstáculo para a maioria das pessoas. A necessidade de nos colocarmos no lugar dos outros e de pensarmos nas suas necessidades antes dos nossos próprios interesses? Parece demasiado exigente! Enquanto não se passar pela situação e não se sentir na pele ou no coração a dor de precisar ser ajudado ou de querer ajudar quem pede; muitos continuarão a recorrer a argumentos ridículos que apelam mais à sua própria instrução do que propriamente à sensibilidade dos outros para o que realmente importa.

NÃO, não se quer matar velhinhos! NÃO, não se quer poupar no amor e dinheiro que possam ser despendidos no seu cuidado! NÃO, não se quer impor esta opção a quem dela não precise ou nela não pense! NÃO, não se quer deixar de procurar outras opções passíveis de viabilizar melhores cuidados de saúde! Apenas se pretende tornar LIVRE a escolha.

Viver é um direito e não pode, por isso ou em qualquer outra circunstância, tornar-se uma obrigação; da qual não podem fugir aqueles que se veem presos a ela.

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