Life Time

A tatuagem – como assim?

“Fazer uma tatuagem que comporte significado”.

Adicionada (a muito muito custo) no fim da lista por julgar ser a coisa que mais coragem me exigiria; acabou sendo, afinal, a primeira que me obriguei a concluir. No dia em que soube sobre o que queria registar permanentemente no meu corpo; decidi que o faria, logo, o quanto antes.

Escolhi o desenho, compreendi onde eu mais gostaria de o ver e procurei por um local fiável que o fizesse com qualidade sem comprometer os meus princípios e os meus valores para marcar um dia e uma hora. Pus de lado os receios que me queriam fazer vacilar e concentrei-me única e exclusivamente no meu objetivo. Passada uma semana, estava eu a interiorizar todo um conjunto de informações e a assinar um termo de responsabilidade; para sentir na própria pele o prazer da dor.

Afinal, ser “cravada e rasgada” com uma agulha (que mais parece um x-ato!) não é tão assustador quanto fazem parecer e vale, sim, muito a pena quando o resultado final compensa! À exceção de uma linha e outro preenchimento; a sensação de estar a ser queimada tolerava-se bem o suficiente para conseguir manter um discurso e desviar a atenção para outros pormenores. Sobretudo, quando ao nosso lado está alguém a fazer algo quase dez vezes maior numa zona claramente mais complicada!

Nem meia hora depois, eis, então, no meio da tinta que se ia esborratando, a obra de arte que queria eternizar e que precisei cuidar, por três semanas. Para além de lavar com sabonete de PH neutro e cobrir com a pomada de cicatrização (neste caso, recomendada pela tatuadora); evitei exposições demoradas ao sol e banhos longos, ficando fora de hipótese coçar ou frequentar praias e piscinas. Processo retomado um mês depois após o retoque a que tinha direito!

Hoje? Não podia estar mais satisfeita e orgulhosa. Afinal, dores à parte, esta tatuagem não podia comportar mais significado do que todo aquele que ela já possui!

Lembra-me todos os dias da sorte que tive em descobrir que não precisamos de magoar para sobreviver; do quão abençoada sou pelos seres extraordinários que conheci desde então; e do quanto me esforço para ser uma pessoa melhor e mais humana. Lembra-me, acima de tudo e de qualquer outra coisa; de que o AMOR é a resposta e a solução para todas as nossas dúvidas e para cada um dos nossos problemas. Eu posso e eu vou, ainda mais, fazer tudo o que estiver ao meu alcance; para acordar todos os que, como eu já estive, ainda permanecem de olhos fechados.

Sobre as minhas veias, está, então, marcada a razão pela qual pretendo continuar a viver: a vida digna de todos os seres, sem exceção.

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