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Pílula anticoncecional: o que implica afinal?

Com treze anos acabados de celebrar, precisei queixar-me à minha médica de família das cólicas infernais que me impediam, pois, de ir para a escola. Qual a primeira e única solução que me apresentou, sem realizar quaisquer exames ou fazer determinadas perguntas? Começar naquele momento a tomar uma pílula anticoncecional.

Na altura? Não ,não questionei. Apesar de ter achado estranho por ainda me considerar nova demais para tal, confiei que seria a opção mais viável visto a entendida na área o recomendar e a minha mãe não parecer discordar. As dores continuavam lá mas ligeiramente mais suportáveis e a verdade é que começava a saber exatamente quando menstruaria sem precisar de me preocupar com acidentes indesejados. Bastava tomar um comprimido por dia mais ou menos à mesma hora; inicialmente sem qualquer pausa entre as cartelas (pílula de uso contínuo) e mais tarde com o intervalo definido (pílula normal).

Nove anos no entretanto se passaram e qual não é o meu choque quando sou confrontada com vídeos, pesquisas e notícias que comprometem a viabilidade deste método. Algo que sempre me pareceu tão óbvio e inofensivo, podia ser afinal a causa de alguns problemas meus que até agora nunca havia associado a isto.

Comecemos, pois, do princípio.

A pílula anticoncecional, sob a forma de um minúsculo comprimido, inibe a ovulação (tornando impossível a existência de um qualquer período fértil), provoca um espessamento do muco cervical (dificultando a entrada dos espermatozoides) e torna o endométrio hipotrófico (garantindo que nenhum óvulo se consegue fixar). Não é de estranhar que seja portanto considerado um dos métodos mais eficazes na prevenção da gravidez, se tomado devidamente de acordo com as recomendações especificadas.

Para além disso, é mais do que sabido que na grande maioria dos casos regulariza o período, ajuda no combate da acne, diminui significativamente as cólicas e reduz o risco de anemia pelo menor fluxo menstrual.

Só coisas boas, realmente!

Mas, será?

Pelas alterações hormonais que a pílula provoca no nosso corpo, é inevitável a existência de efeitos colaterais. Importa, pois, saber quais são… Lendo pela primeira vez com muita atenção TODO o folheto informativo que vem na caixa, eis que me deparo logo com um aviso para o aumento da probabilidade de ocorrerem “coágulos sanguíneos nas veias e artérias” que podem levar a tromboses. Mais à frente, estão os efeitos secundários FREQUENTES:

  • “Ocorrência de infeções vaginais (de entre as quais, candidíase)”
  • “Mudanças de humor e possíveis depressões”
  • “Apetite sexual alterado” (que é como quem diz diminuição da líbido)
  • “Nervosismo ou tonturas”
  • “Náuseas, vómitos ou dores abdominais”
  • “Acne”
  • “Problemas mamários, como dor, sensibilização”
  • “Menstruação dolorosa ou alteração do fluxo sanguíneo”
  • “Alterações do corrimento vaginal ou alterações do colo do útero”
  • “Retenção de água nos tecidos” (que é como quem diz inchaços)
  • “Perda ou aumento de peso”

Afinal, tudo até então tinha uma razão de ser. Afinal, não eram só coisas da minha cabeça ou problemas que eu podia resolver e se não o fazia era por não querer. Afinal, não era tão natural quanto eu preferia acreditar que sim.

Até que ponto, então, aquelas vantagens (que o são, não vale a pena negar!) valem a minha saúde e a minha estabilidade emocional? Será que posso mesmo tomar como certas as decisões que a minha médica e, no geral, toda a sociedade nos quer incutir a nós mulheres?

Percebi que não vale e que, de facto, não posso nem devo.

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