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Esgotamento Psicológico: porquê e como?

“Nem sempre é fraqueza, às vezes é por ter sido forte demais.”

Parece exagerado? Soa como algo oco e vazio sem fundamento, só para parecer melhor? Então, felizmente, não sabem o que implica e realmente significa. Ainda bem. Porque para aqueles que, como eu, compreendem exata e inequivocamente o seu sentido, jamais deixará de ser verdade, a nossa verdade. Uma verdade que não escolhemos, pela qual nunca pediríamos se pudéssemos ter algum “voto na matéria”. Uma verdade que nos foi imposta em algum momento da vida ou, como no meu caso, ainda antes de nascermos e sob a qual tudo se viu condicionado e irremediavelmente conectado. Uma verdade que a curto, e sobretudo a longo, prazo, dará como falsa e indigna toda e qualquer esperança num futuro.

“Será que tu sentes aquilo que eu sinto ao acordar de manhã? Olho-me ao espelho e pressinto que talvez não chegue amanhã”

Mas, agora falando menos sob o meu ponto de vista pessoal e mais de acordo com o que a ciência e a psicologia acordam sobre, quais são os sintomas a que devemos estar atentos se conjugados e permanentes?

  • Insónias
  • Fadiga física
  • Falhas na memória
  • Dores de cabeça
  • Problemas digestivos
  • Desmotivação
  • Maior sensibilidade
  • Pessimismo

Dormimos pouco e mal, acordamos cansados sentindo que não aguentaremos aquele dia, passamos a ser muito seletivos na informação que armazenamos e tudo se começa a misturar deixando de ser óbvio, dói-nos a cabeça de tal forma que quase acreditamos que o cérebro quer fugir pelos nossos olhos, não conseguimos mais dedicar o nosso tempo a tarefas que até então julgávamos prazerosas, tudo parece demasiado titânico e trabalhoso, queremos e choramos quando menos esperamos e sem razão aparente, qualquer coisa nos afeta e nos irrita, sentimo-nos constantemente ameaçados e perdemos o controlo muito facilmente, tornamo-nos por defesa (ou como resposta) apáticos, falamos sem pensar ou calamos o que pensamos e sentimos só para não precisarmos de discutir, afinal nada vale mais a pena, para quê insistir?

Tudo porque durante muito tempo, demasiado tempo, assumimos como nossa a responsabilidade de cuidar dos outros e de resolver qualquer problema. Tudo porque sempre acreditamos ser nossa a culpa, fosse qual fosse a situação, estivéssemos mais ou menos com ela relacionados. Tudo porque preferimos ignorar o quanto dávamos, em troca do (quase) nada que tínhamos direito a receber. Fomos dispensando todas as nossas energias sem sequer conseguirmos dedicar algum tempo para as repor. Sofremos demais, durante demasiado tempo.

Chega. Somos nós quem mais importa e é connosco que nos vamos preocupar, acima de tudo e qualquer outra coisa, pareça mais ou menos egoísta. Nós devemos nos reencontrar e descobrir de novo o quanto valemos a pena; só assim seremos capazes de compreender o quão importante é estarmos bem. Nós temos de aprender a priorizar aquilo que nos faz felizes e a arranjar sempre tempo para (conseguir) descansar mais e melhor; só assim encontraremos um bom e saudável equilíbrio entre as tarefas às quais não podemos faltar e os momentos que queremos aproveitar. Nós precisamos ser mais compassivos connosco próprios e baixar as expectativas que teimamos em criar; só assim tiraremos este peso que teima em sobrecarregar os nossos ombros e nos stressar. Nós vamos ser mais por nós mesmos. Nós não vamos continuar a ser cada vez menos para que os outros se possam achar mais importantes, mais concretizados, mais contentes, mais alguém. Porque? Porque nós queremos. Porque nós merecemos. E isso chega.

“Nem sempre é fraqueza, às vezes é por ter sido forte demais.” Até então…

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