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Quinta das Águias: o paraíso na Terra

Por onde começar? Vou tentar pelo início, quando ouvi pela primeira vez falar desta que é a casa onde todos os animais merecem e têm o direito de ser felizes, amados e cuidados em plena harmonia com a Natureza que os acolhe e rodeia. Nessa altura, há cerca de meio ano atrás, um contratempo impediu-me de a conhecer e, desde então, me vi “obrigada” a encontrar tempo e dinheiro por entre as horas de trabalho e as despesas mais ou menos previsíveis para poder ir até lá. A ansiedade era muita e o desespero começava a dar comigo em doida, tais eram os elogios que ouvi serem-lhe tecidos e a gratidão por todos demonstrada.

Até que, eis que sou surpreendida e presenteada com uma noite de estadia na Quinta das Águias para poder, finalmente, conhecer o Artax (um dos belos cavalos brancos que pude apadrinhar) e os seus companheiros. Que dizer então? Foi perfeito.

A cerca de 100km de Ermesinde, em Rubiães, uma recatada freguesia de Paredes de Coura, após uma subida um tanto ou quanto ingreme por um caminho estreito e não alcatroado encontramos um portão atrás do qual não sabíamos, mas queríamos muito descobrir, o que encontrar.

Recebidos por um dos anfitriões, o Joep, fomos de imediato instalados na Casa de Hóspedes (constituída por uma sala de estar e jantar, uma casa de banho, uma cozinha totalmente equipada e quatro suites distintas) e convidados, para nossa grande e esperada alegria, a conhecer toda a quinta.

Podíamos e devíamos sentir-nos como se na nossa própria casa estivéssemos desde que respeitados a Natureza e todos os Animais; nada devia ser estragado, nenhuma criatura devia ser importunada e cada portão devia ficar exatamente como estava quando encontrado. Para mim, muito simples de compreender. O que é que fizemos, então, durante todo o tempo que lá estivemos? Tentamos, pois, conhecer toda a quinta! Pelo menos depois dum belo de um jantar ao calor da salamandra, dum sono reparador embalado pelos pavões e do pequeno-almoço mais bem servido nas primeiras horas do dia seguinte anunciado pelos galos e encorajado pelo sol que se fazia notar.

Estávamos receosos e sem saber muito bem por onde ir, mas quase sempre muito bem acompanhados pelo Zacarias, a timidez deu lugar à audácia e à curiosidade frenética.

Encontramos muitos pequenos seres das mais variadas espécies. Para além dos gatos (mais ou menos sociáveis) e dos pavões (muito, mesmo, convencidos) cuja liberdade era praticamente total, havia galinhas, perus e codornizes, coelhos e porquinhos-da-Índia, patos e (assustadores) gansos. No entanto, verdade seja dita, a nossa atenção foi roubada pelos de maior porte; pelos cães que ladravam a pedir mimo, pelas quatro porcas que só queriam bolotas e pelos belos cavalos que nem queriam saber de nós mas aos quais não conseguimos resistir.

Era tudo tão delicioso, tão certo, tão envolvente e abalador. Fizemos o mesmo percurso vezes sem conta, tocamos como se não houvesse amanha e falamos como se nos ouvissem e compreendessem. Respiramos tão profundamente e observamos tudo para tentar, aparvalhadamente, gravar na memória e não deixar nunca escapar. Desejamos que aquela fossa a nossa realidade; pedimos, o mais honesta e sinceramente possível, que aquela fosse a verdade de todos os seres vivos. Esperamos que um dia seja. Só dessa maneira fará sentido.

Tivemos de vir embora.

Não queríamos. Aproveitamos até ao último minuto e olhamos para trás mais vezes do que aquelas que gostaríamos de admitir. Mas tivemos de vir. Sabendo, não me perguntem como ou porquê, que voltaremos a este santuário.

Muito em breve.

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