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Unhas compridas: ter ou não querer?

Não sou e jamais serei a única pessoa a ver-se rendida a alguma coisa que até então julgava desnecessária ou mesmo ridícula. E, falando sério, tal vai suceder-se vezes e vezes sem conta. Caso contrário, que outra verdade sustentaria tão bem o provérbio “Nunca digas nunca”, segundo o qual não devemos criticar os outros por algo que nós próprios um dia poderemos vir a gostar ou fazer?

Uma das muitas provas disso: gelinho e unhas compridas.

Quando no ano passado experimentei para ir a um casamento, a experiência só veio acentuar a minha opinião nada benéfica sobre o método. Não sei muito bem porquê, mas fiquei traumatizada quando, depois de a muito custo conseguir retirar o verniz, percebi que as minhas unhas enfraqueceram de uma forma assustadora. Na altura, decidi que meia dúzia de horas com as unhas bonitas não justificavam o preço pago e o tempo perdido. A verdade, é que a preguiça sempre foi de tal forma que raramente pintava as unhas e quase sempre as preferia ao natural; fosse ou não esteticamente bonito de se ver.

Um ano depois, e novamente por causa de uma cerimónia matrimonial, convenceram-me a voltar a tentar. Desde aí? Não passo um mês sem pôr os pés naquele salão. Tais têm sido as maravilhas…

Em meio ano, cresceram como sempre julguei improvável e estão mais resistentes do que nunca; contrariando a fragilidade consequente do meu hipotiroidismo.

O vício de roer as unhas despareceu (já que tentar é inútil) e tê-las bonitas sem medo de as ver quebrar ou lascar deixou de implicar a constante necessidade de as limar e pintar; talento com o qual não nasci. Tudo graças a duas horas de puro descanso. Por um valor super em conta, na companhia de boas profissionais, até sabe bem e passo o resto do mês despreocupada.

Mas, continuando na “onda” dos ditos populares, “nem tudo são rosas”. Pôr e, sobretudo, tirar as lentes de contacto exige alguma perícia. Colocar ou retirar os brincos raramente corre bem. Apanhar moedas ou qualquer outra coisa pequena e/ou fina requer mais paciência do que aquela que julgava ter. Abrir uma lata só mesmo com uma colher. Apertar e desapertar calças faz uma certa impressão. Coçar quando se tem comichão não sabe mais tão bem. Descarregar o autoclismo tem de ser com o osso da mão. Escrever cria atrito com a caneta. Teclar, num ecrã ou num teclado, faz alguma confusão. Lavar a louça dá muito medo. Tirar creme de um boião sempre resulta em muito onde menos devia. Complicado, de facto… Mas à medida que o tempo passa, cada vez se torna mais fácil e a dada altura não se estranha mais.

Para mim? Neste momento? É a minha escolha. E faz-me feliz.

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