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Ter carro: o que implica?

Há uns dias atrás, já nem sei muito bem porquê ou como, lembrei-me de anotar na agenda todas as datas dos vários compromissos anuais relacionados com o carro. Não vá eu esquecer mais uma vez e ter de pagar multa… Podia bastar apenas a carta de condução e o livrete (que é como quem diz o certificado de matrícula ou, melhor até, o documento único automóvel) que nos identifica como o proprietário daquela viatura em específico.

Mas não… São tantos… e, para mim, praticamente todos a mesma coisa…

O seguro automóvel? Aquele que supostamente me protege a mim, ao meu veículo e a terceiros que possam por alguma razão ser envolvidos? É mais fácil. De três em três meses lá sai por débito direto (estratégia mais barata e menos poluente) o valor que, por motivos de pouca idade e escassos anos de carta, me desfalca a conta bancária. Depois é só aguardar pela carta verde, que constitui, então, o “comprovativo de seguro internacionalmente reconhecido que substitui, no espaço europeu, o Certificado de Apólice de Seguro”.

Mas também não chega! E no que respeita a documentação obrigatória da qual nos devemos sempre fazer acompanhar, é preciso incluir o Imposto Único de Circulação e a Inspeção Técnica Obrigatória, ambos (no meu caso, detentora de um automóvel ligeiro de passageiros com mais de oito anos) anualmente aquando “o dia e o mês correspondentes à matrícula inicial da viatura”.

O primeiro? “Obedecendo ao princípio da equivalência, procurando onerar os contribuintes na medida do custo ambiental e viário que estes provocam, em concretização de uma regra geral de igualdade tributária”, não exige mais do que a sua liquidação; bastando para isso que nos dirijamos às Finanças ou, se preferirmos, peçamos pelo seu Portal online, a entidade e referência pela qual podemos efetuar o pagamento.

Já o segundo… Dá-nos sempre cabo da cabeça e dos nervos! Tal é o receio: será que vai passar? Devendo-se à necessidade de comprovar se o veículo “tem uma manutenção adequada e mantém boas condições de funcionamento e de segurança”, implica toda uma verificação minuciosa e pormenorizada, por parte de um inspetor licenciado para o efeito, dos vários componentes do veículo, durante mais de vinte minutos. É o “sistema de iluminação e visibilidade”, é o “sistema de suspensão”, é o “sistema de travagem”, é o “alinhamento de rodas”, é a “emissão de gases”, é, muito basicamente, tudo e mais alguma coisa. Se calhar, antes, é uma boa altura para fazer aquela revisão periódica… No final das contas? Mais uma boa centena de euros dispensada…

Não. O carro não se mantém só com gasóleo (despesa que por si só já dá muito que pensar) e ter um exige muito mais responsabilidades para além daquela que é primordial mas que, infelizmente, muitas vezes fica aquém: saber conduzir.

Ter um carro obriga a que o mantenhamos e, isso pode ser bem mais difícil do que julgávamos quando era tarefa para os outros. No entanto, a verdade é que é necessário e sabe muito bem.

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