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“A star is born” pelo eco das emoções

Preconceitos e estereótipos à parte, a verdade é que quando me convidaram para ir ver “A star is born” não soube muito bem o que pensar; julgava eu que dada a protagonista seria só mais um relato da vida pessoal de uma artista… Mas fui e não podia ter ficado mais surpreendida com todo o filme. A evolução de cada personagem a par do crescente envolvimento dos dois numa relação para lá de pessoal que se vê comprometida pelo sucesso profissional de uma e o fracasso inesperado do outro prende-nos ao ecrã e faz-nos celebrar cada vitória e sofrer por cada obstáculo. O final? Um verdadeiro tira-teimas à nossa sensibilidade.

Foram muitos e bem merecidos os prémios para os quais foi nomeado e mais justo não podia ser o de “melhor canção”. Shallow revela-nos não só a poderosa cantora escondida naquele magro corpo e timidez aparente mas sim, e sobretudo, o poder das poucas mas certeiras palavras através das quais revemos a nossa própria realidade. O dueto cuja química é inegável e sem comparação fica-nos de tal forma gravado na memória que sempre logo nos arrepia ouvir a parte instrumental que antecipa a música; acarretando esta muito mais do que à superfície se pode ver, ou neste caso, ouvir.

Mas a trilha sonora de outras canções se fez e também a elas deve ser dado o devido destaque. Is that alright?, Always remembers us this way e I´ll never love again fizeram igual sucesso.

A primeira é a mais linda declaração de amor e a menos pensada entrega a alguém; é a materialização dos abstratos sentimentos que invadem uma mulher apaixonada e deslumbrada cujo único desejo é a aceitação do outro e sua perfeita correspondência. Tão sincera, sem rodeios ou embelezamentos, sem quaisquer pretensões.

A segunda pela mais pura e crua referência aos baixos pelos quais qualquer ser humano e toda a relação pode passar e cuja resistência depende, muito, da recordação do quão boas as coisas conseguem ser, do quão maravilhoso já foi. Faz-nos nostálgicos e melancólicos como que numa tentativa de guardar essa lição para toda a vida.

Já a última, a derradeira? Nem sei o que dizer. Chorei baba e ranho. Aliás, choramos. Nem o volume conseguiu abafar os soluços que se fizeram ouvir por toda a sala de cinema, homens inclusos. Porquê? Não há palavras para explicar… A impotência, o desalento, o comprometimento, a dor, a total desorientação e, no final, a triste mas inevitável compreensão do trágico desfecho. Sofremos com ela e nela nos revimos. Simplesmente maravilhoso.

Uma autêntica obra de arte cujas emoções que a fundamentam são cantadas e ecoadas.

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