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I´m Vegan: what´s your superpower?

No ano passado, a faltar menos de uma semana para terminar Março, o dia ia já quase no fim quando reparei num vídeo cuja youtuber eu desconhecia e cuja publicação não era sequer tão recente assim. Porquê? Não sei. Talvez pelo título, se calhar pela imagem que o ilustrava, ou então pelos comentários que na altura me intrigaram. Não sei… Só sei que o abri e o vi, até ao fim. Mas não de uma só vez… Precisei de parar e ponderei desistir de o terminar. Mas eu vi.

“Por mim e por toda a gente que não entende. DESCULPEM!”

Aquelas imagens, aquelas palavras dirigidas aqueles e a tantos outros seres, as lágrimas que lhe escorriam pela cara e que, então, a mim me atormentavam. Tudo o que estava a ser dito, eu compreendia, eu pensava também… Senti ali a maior e mais angustiante culpa que alguma vez se apoderou de mim. Julguei-me como jamais o havia feito. Repudiei-me como nunca considerei ser possível. Repreendi-me pelo pesar e com mágoa. Ela estava a pedir desculpa por mim porque eu não entendia. Como? Como é que eu pude, durante mais de 21 anos, contribuir para uma indústria cujo sustento dependia da humilhação e morte de milhões e milhões de animais? Como fui capaz de me alimentar de pedaços de carne em cujas veias havia corrido sangue? Como pude ser hipócrita ao ponto de proteger e cuidar de cães e gatos mas sacrificar, enquanto isso, outros a eles semelhantes? Eu devia ter percebido. Eu não podia não ter percebido. Como é que eu não percebi?

Naquela noite, deitei-me sabendo que estava errada e que precisava de remediar todo o mal que provoquei. Prometi a mim mesma e a cada um dos seres sencientes cujo direito à vida é negado ainda antes de nascerem que eu ia mudar, redefinir as minhas prioridades e lutar. Desde então é isso que tenho feito. Dia após dia. Já lá vai um ano e um mês.

Primeiro, pesquisei muito, muito mesmo. A ânsia de parar imediatamente de comer tudo e mais alguma coisa era desmedida e inquietante mas eu sabia que precisava de ter cuidado; eu tinha (e ainda tenho) um problema de saúde cuja evolução pode ser tão benéfica quanto prejudicial para mim. Vi muitos vídeos e li muita coisa, informei-me o melhor que consegui sobre os cuidados que precisava de ter para não me negligenciar, soube exatamente em quais alimentos se devia basear a minha alimentação e defini muito direitinho cada uma das substituições a fazer. O Desafio Vegetariano (cuja inscrição é totalmente gratuita!) e os vários grupos de pessoas no facebook (onde todos são bem-vindos) foram uma mais-valia, desde o início.

Dia 1 de Abril, já à mesa para almoçar, avisei os meus pais de que eu não voltaria a comer carne ou peixe. Na altura nada disseram, não contestaram, pensaram que seria “apenas uma fase” e nem sequer ficaram preocupados. Eu comia a massa ou o arroz que faziam para eles com muitos vegetais e legumes, para o pequeno-almoço ou lanche recorria mais ou às bebidas vegetais ou às frutas que tinha lá por casa e a sopa foi sempre uma boa aliada em qualquer outra situação. No entanto, trabalhando na altura numa pastelaria, acreditava que “precisava” (julgava eu e pensamos quase todos, no início) de comer alguns daqueles bolos nas minhas pausas para as pequenas refeições. Não custava tanto porque não via ali à minha frente os ovos ou o leite de que eram feitos; não associava (porque assim preferi!) aos processos pelos quais eram sujeitos aqueles seres sencientes para a sua produção. Felizmente não demorei muito a perceber que nem isso se justificava.

Dia 1 de Maio comprometi-me então, definitivamente, a não tocar em mais nada que implicasse sofrimento animal. Inclusive derivados de leite e ovos. Nada mesmo.


Foi a melhor coisa que eu podia ter feito. “Eles disseram que o meu único arrependimento seria não ter começado antes” e mais verdade era impossível…

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