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“2019: o ano do veganismo”

Ainda 2019 não tinha começado e já muitas pessoas se referiam a ele como vindo a ser o ano do veganismo. Atualmente? Todos o reconhecem, vegans ou não, mais ou menos entusiasmados com a ideia originalmente trazida a público pelo jornal “The Economist” a propósito do “The World in 2019”.

A verdade, aquela pela qual uns celebram e da qual outros têm medo, é que cada vez mais se evidencia o descomunal crescimento da procura de produtos livres de qualquer crueldade animal, pelos consumidores. Estatisticamente, “25% da população dos Estados Unidos da América entre os 25 e os 34 anos identificam-se como veganos ou vegetarianos”, “no Reino Unido o número terá aumentado em 700%” e em Portugal “o número de vegetarianos quadruplicou, atingindo os 120 mil”. De uma forma muito geral, “70% da população mundial está alegadamente a reduzir o seu consumo de carne ou a deixar a carne fora da mesa” e “as empresas estão reconhecendo que se não se adaptarem, atendendo a uma crescente demanda por parte de pessoas que rejeitam o consumo de produtos de origem animal, podem ficar para trás”.

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Já repararam que hoje em dia não há um único restaurante que não vos prepare uma refeição vegetariana? E que cada vez mais e mais depressa aumenta o número daqueles com uma ementa especialmente dedicada a esta fração da população se não estrita e inteiramente vegan? Até as mais pequenas padarias/pastelarias começam a disponibilizar bebidas e manteigas vegetais para os pequenos-almoços ou lanches.

Desde os mais pequenos e locais mercados às grandes plataformas, todos denotam uma redução do consumo de produtos de origem animal a par da maior procura por artigos 100% vegetais.

Fomos mais longe ainda e entrou, entretanto, em vigor a lei segundo a qual se torna obrigatório que todas as cantinas e qualquer refeitório público incluam opção vegetariana; estando também já a ser desenvolvidas as primeiras máquinas de venda automática vegan.

Até as grandes cadeias produtoras e distribuidoras de carne começam a ter disponíveis ofertas vegetais para os cada vez mais clientes que aparecem a pedir por algo mais saudável e menos culposo. O McDonald’s e o Burger King introduziram já opções vegetarianas e continuam a ser “pressionados” para satisfazerem também os que nada de origem animal consomem.

Proliferam, então, as reportagens e notícias cujo destaque é totalmente atribuído a este estilo de vida muito para além da dieta. Canais públicos e privados, uns de uma forma mais cautelosa, outros sem qualquer receio, discutem as várias vertentes de uma alimentação carnívora e apelam à consciencialização da população para a necessária e inevitável mudança dos nossos hábitos e dos nossos valores, enquanto indivíduos parte de uma sociedade.

“A tendência vegan está sim a crescer e a indústria alimentar tem vindo a adaptar-se às novas tendências de consumo. Mas não é a única. Outras estão a seguir-lhe o exemplo”. Como a da cosmética (que percebe agora e responde cada vez mais e melhor ao interesse do público por produtos cruelty-free não testados em animais) ou a do vestuário (que, então, deixa de custear a comercialização de peles e pêlos de animais).

E, à medida que as pessoas se começam a interessar mais pelo tema em questão e a ter em consideração os seus contornos a curto e, sobretudo, a longo prazo, cresce também o número de eventos e festivais pensados e colocados em prática com a intenção de esclarecer qualquer questão e de materializar os princípios nos quais se baseia esta causa, esta forma de encarar a existência de todos os seres sencientes. Convívios esses cada vez mais numerosos e aparatosos para toda a comunidade.

Que dizer? O mundo está a mudar e a evolução não pára de acontecer. Talvez não ao ritmo que nós gostaríamos e que todos aqueles animais precisavam e mereciam, mas a pouco e pouco as mentalidades vão-se abrindo e moldando, o egoísmo vai dando lugar ao altruísmo e à compaixão, o que até então era tomado como certo rapidamente se evapora para que outras ideias mais justas e igualitárias tenham a oportunidade de se difundir. AINDA BEM. QUE ASSIM SEJA E CONTINUE A SER.

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