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Por questões ambientais, pelo Planeta

Se a própria saúde de uma pessoa não é razão suficiente o bastante para que mude os seus hábitos alimentares e qualquer princípio a eles inerentes, que o seja então a urgente preocupação pelo Planeta do qual dependemos para respirar e conseguir viver. Aquele cuja rápida e devastadora progressiva deterioração é cada vez mais noticiada e debatida. Aquele cuja crise tem e terá a curto e, sobretudo, a longo prazo, duras implicações; não só ambientais, mas também económicas e socais.

Olhem à vossa volta. E voltem atrás no tempo. Foi sempre assim? A cada ano que passa mais difusas entre si ficam as estações, chove torrencialmente quando não é altura e não cai uma pinga nos momentos em que realmente era precisa, a ocorrência de ondas de calor e secas são cada vez mais frequentes e catastróficas, a temperatura global continua a aumentar e com ela a desertificação de zonas outrora esverdeadas ou sob água, a par da subida do mar que noutras regiões se propaga, diariamente mais espécies se extinguem ou são declaradas como ameaçadas, em países subdesenvolvidos as pessoas não têm sequer acesso a água potável e a propagação de doenças começa a tomar proporções irremediáveis. Por quanto mais tempo acham que aguentaremos, nestas condições? O Homem continua e cada vez mais a explorar os recursos de um Planeta cuja regeneração não consegue sequer acompanhar essa demanda e, atualmente, o Dia da Sobrecarga da Terra, já festejado a poucos dias de terminar o ano, data o mês de Agosto.

E não, não serão os banhos mais curtos capazes de resolver o problema. Não enquanto continuarmos a financiar e a depender de uma indústria cujo impacto ambiental inviabiliza toda e qualquer sustentabilidade… Sim, é verdade!

Vocês sabiam que “são necessários 10x mais combustíveis fósseis para produzir uma caloria de alimento de origem animal, do que para produzir uma caloria de alimento vegetal”? Sabiam que “o gado gera mais gases com efeito de estufa do que todos os meios de transporte juntos”, carros, motas, autocarros, camiões, comboios, aviões, barcos e tratores? Sim, o uso de fertilizantes sintéticos gera óxido nitroso 300x mais nocivo e “as vacas produzem uma grande quantidade de gás metano, a partir do processo digestivo, de 25 a 100 vezes mais destrutivo do que o dióxido de carbono dos veículos”. Só para se ter uma pequena noção, apenas nos EUA são produzidos, por segundo, 53000 de excrementos animais. “Por cada kg de carne produzida, são gerados cerca de 6kg de lodo que libera amónia, envenenando o ar circundante e ameaçando a nossa água potável”.

Vocês sabiam que “criar animais para a alimentação consome um terço de toda a água do planeta, constituindo “o consumo doméstico de água apenas 5% comparado aos mais de 55% assumidos pela produção animal”? Por exemplo, para poderem comer um único hambúrguer, foram precisos cerca de 3000l de água, a quantidade mais do que suficiente para se tomar banho durante dois meses.

E sabiam que “45% da superfície terrestre e 80% da terra desmatada é ocupada pelo gado que come grãos suficientes para alimentar 8,7 biliões de pessoas”. Pois… “A cada segundo são desflorestados o equivalente a um campo de futebol, destruindo-se habitats e perdendo-se, a cada dia, mais de 100 espécies de plantas, insetos e animais”. Só no que respeita à Amazónia, 91% da destruição foi provocada pela criação de animais para a alimentação. As florestas são os pulmões da Terra e nós estamos a dar cabo delas…

Quanto aos mares, onde se desenvolve o fitoplâncton, o conjunto de plantas marinhas microscópicas produtoras de 80% do oxigénio do mundo, do qual dependem todas as espécies marinhas e que destas depende ele próprio para prosperar? Estão a ser explorados de tal maneira que o número de zonas mortas aumenta cada vez mais, “os humanos retiram tudo e nada devolvem, abatendo os maiores predadores sem perceber que estão a colocar em risco a crucial relação simbiótica dos peixes”. Mais de 650 000 baleias, golfinhos e focas, anualmente. Cerca de 200 000 tubarões por dia. Muitas vezes, como capturas acessórias, por acidente. Com eles, “aproximadamente 2,7 mil biliões de peixes são retirados do mar a cada ano, dos quais 40% é descartado como captura acessória e outro terço é usado para alimentar os animais que as pessoas consomem na forma de carne, lacticínios e ovos”. A cada momento, “140 espécies diferentes são listadas como em risco, ameaçadas ou em vias de extinção”. “Se quisermos proteger a biodiversidade dos oceanos, devemos parar absolutamente de pescar”…

“Sem parar a produção animal, não vamos salvar os ecossistemas como é necessário, não teremos comida suficiente para todos, no planeta, não deteremos o aquecimento global”. Uma dieta vegetariana é sim a única mais sustentável.

Mas isso não é sequer abordado e falado, nem pelas organizações ambientais às quais confiamos o nosso futuro. Porquê? Mais uma vez porque muitas delas (se não a infeliz totalidade) dependem de outras empresas maiores para o seu financiamento; o dinheiro vale-se, então, por si, mais do que qualquer outra coisa. E assim será enquanto não se tomar a real consciência das consequências irremediáveis das nossas atuais ações…

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