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“Não é uma questão de sorte”, pois não?

“Não é uma questão de sorte”, pois não?

Então é o quê, afinal?

Segundo o dicionário podemos definir antagonicamente sorte e azar como sendo, respetivamente, “tendência para acontecimentos positivos ou favoráveis” e “falta de sucesso na execução de um objetivo”. À volta de ambos os termos são vários os provérbios e as expressões populares que se fazem ouvir. “Azar no jogo, sorte ao amor”. “Azar de uns, sorte de outros”. “Ninguém está bem com a sorte que tem.” Fazer isto dá sorte, falar naquilo pode trazer azar. Sextas-feiras, 13 e gatos pretos são, vai-se lá saber porquê, quase sempre associados a infortúnio. Uns mais do que outros, às vezes porque faz sentido, noutras sem qualquer explicação, todos já nos fizemos valer da existência de algo que nós não podemos controlar mas que nos condiciona sem volta.

“Não é uma questão de sorte”, pois não?

Então é o quê, afinal?

Há quem diga que “todo o mundo tem a sorte que merece”. É mesmo? Num jogo da sueca nem sempre quem ganha é quem mais percebe das regras ou quem melhor se esforçou para conseguir vencer. Num jogo da sueca são tantas e tão maiores as variáveis a viciar as cartas que nenhuma estratégia, por melhor definida que seja, é capaz de contornar as circunstâncias do momento. Num jogo da sueca ganhar ou perder depende quase sempre da sorte, ou falta dela, de um jogador. Mas, claro! A quem o jogo corre bem, melhor fica destacar a sua muita experiência e inegável sabedoria. Ah! E os que saem apenas com o prazer de ter participado preferem evitar o assunto.

Não, eu não acredito que “todo o mundo tem a sorte que merece”. Não num simples jogo, jamais no que respeita à própria vida. Não. Nem todas as pessoas que andam à chuva se molham. E nem sempre quem arrisca, petisca. Às vezes a justiça demora para os que dela dependem e chega facilmente para aqueles que sempre a negligenciaram. Para uns, a sorte e o azar vão se revezando. Para outros, as coisas estagnam, melhor ou pior.

No nosso dia-a-dia, podemos e devemos, sim, dar sempre o nosso melhor em tudo o que fazemos. É óbvio que nada nos chega se não nos esforçarmos por alcançar. Seja o que for, não podemos nunca deixar de priorizar as nossas competências e capacidades em prol do nosso sucesso. Mas isso não chega; nem sempre é o suficiente. A todo e em qualquer instante, somos continuamente surpreendidos pelo acaso. Estamos permanentemente sujeitos à ocorrência de imprevistos. E se para alguns parece que o vento empurra a favor, para muitos mais dá a sensação de querer impedir caminho…

“Não é uma questão de sorte”, pois não?

Então é o quê, afinal?

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