Life Time

O poder da aceitação

Lidar com um problema de saúde descoberto graças a um exagerado aumento de peso no espaço de semanas mudou drasticamente a minha vida em, entre outros, dois grandes aspetos, tão correlacionados entre si.

Por um lado, o mais óbvio e instantâneo, pelas mudanças físicas que vi o meu corpo passar; muito além dos papos no pescoço e das duas cicatrizes deixadas pela operação. Habituada a pesar pouco mais de 50Kg, escolhesse o que fosse para comer, passar dos 75Kg numa altura em que até frequentava o ginásio e a minha alimentação era bem mais equilibrada, foi um choque. Um choque em nada comparado à impotência que se apoderava de mim sempre que via uma nova marca ao espelho. A cada oscilação de peso, mais uma estria, cada vez mais branca e profunda. A cada oscilação de peso, mais evidentes as varizes e a celulite. A cada oscilação de peso, mais visível uma ou outra localização de gordura. A cada oscilação de peso, mais flácida a pele em zonas que nem julgava possível. A cada oscilação de peso, uma nova forma, um novo contorno. Em menos de três anos vi o meu corpo mudar mais vezes do que nos vinte anteriores. Umas para melhor. A maioria nem por isso. Atingi o meu auge de satisfação e o maior pique de vergonha. Senti-me no “corpo perfeito” e, então, com medo de vestir um biquíni. Numa altura, feliz por ter engordado aqueles quilinhos que sempre quis. Mais tarde, aterrorizada por perceber que não parei onde queria. O meu próprio reflexo conseguiu ser, simultaneamente, um bom aliado e o pior inimigo.

Hoje? É só o meu reflexo, o reflexo do meu corpo que, agora no peso considerado ideal, se reveste irreversivelmente de cicatrizes e marcas. E é aí que reside a mudança que verdadeiramente importa.

Hoje eu não temo mais olhar-me. Hoje gosto de me ver, sem medos ou receios.

Hoje eu não tento esconder ou disfarçar os defeitos. Hoje orgulho-me da história que contam.

Não, eu não sou perfeita. E sim, eu ainda me questiono do porquê. Mas hoje? Eu aceito.

Eu aceito-me como sou. Não importa quantas “melhores” possam haver… Este é o meu corpo. É o corpo que eu tenho e que eu conheço tão bem. Este é o meu corpo, único e exclusivo. Sem igual. Só meu. E ninguém nunca terá o direito de me dizer o que posso ou não fazer com ele, o que poderei ou não dizer sobre ele. Eu amo-me do jeito que eu sou e isso? Isso é só muito mais gostoso que qualquer bom par de mamas. Digas tu o que disseres…

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